sábado, 24 de outubro de 2015
A clementina perfeita
Comprei umas tangerinas no supermercado esta semana. Porque gosto mais da palavra clementina, vou chamar-lhes antes assim. Que eu saiba, não há nenhuma autoridade que possa processar-me por alteração de entidade de um citrino.
Comprei, portanto, clementinas. No pensamento tinha a imagem, desejada ao microscópio, do momento em que a unha dum polegar ajuda a sulcar o primeiro pedaço irregular da casca - a clementina perfeita, nesse instante, vaporiza gotas de sumo quase imperceptíveis e exala um perfume que perdura, por uma breve eternidade, na ponta dos dedos.
Depois, a antecipação dos gomos - terão caroços? E a seguir, a degustação: uma espécie de cerimonial onde o sabor me deveria levar a um dia de Outono no Alentejo.
As clementinas que comprei não eram perfeitas. Mas ir ao supermercado pode proporcionar um passeio de fenómenos estéticos que pelo menos quatro sentidos podem saborear.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Vou-lhe chamando "Obstinação", para já. E esta é a sinopse da contracapa.
Revelo só mais umas linhas! Resultado prático do exercício: cinco palavras novas.
E então?
Ester Nilsson tem 31 anos. É poetisa
e enssaísta e uma pessoa razoável numa relação razoável. Num dia de Junho
recebe um telefonema pedindo que apresente uma palestra sobre o artista Hugo
Rask. Entre o público está o artista em pessoa, entusiástico, e depois da
apresentação os dois encontram-se pela primeira vez.
A partir de agora, o que resta da
existência de Ester está associado àquela conversa, segundo ela totalmente inofensiva.
Dificilmente algo do que acontece mais tarde poderia ter causado outro efeito senão
a cadeia de acontecimentos que ali tem início.
Entre Ester Nilsson e Hugo Rask
começa uma espécie de história de amor, banal na sua simplicidade, sublime na
sua completa devoção.
Obstinação é
uma história sobre a vontade de nos iludirmos a nós próprios face ao
desejo de sermos amados.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Como se recomeçasse. Um "Da capo". Mas sem promessas. E depois, um telefonema.
Sem comentários à lonjura que separa este do último texto. Sem preâmbulos sobre as razões deste afastamento, e sem posfácios com compromissos de regresso. Só espero que estejas bem e que recebas o que agora vem :)
Estive em casa doente. Uma gripe. Seis dias, quatro dos quais perdidos na falta de energia, nos montes de lenços de papel usados, nas canecas sujas de chá com mel e gengibre. E proibida de falar, porque tudo começou com o sintoma ingénuo de voz arranhada. Mal sabia eu!
As minhas cordas vocais e eu temos andado em desarmonia; adoramo-nos e precisamo-nos, mas tem sido difícil conciliarmo-nos. Não tenho nem a profissão nem o tipo de gostos que se façam sem voz.
O resto do boletim clínico não importa agora. Estou melhor, e amanhã já vou trabalhar. Mas o que me traz de volta ao blogue aconteceu nestes dias de fastio - isso sim, é o que quero partilhar.
Se eu aqui colar uma coisa que tenho escrita:
Estive em casa doente. Uma gripe. Seis dias, quatro dos quais perdidos na falta de energia, nos montes de lenços de papel usados, nas canecas sujas de chá com mel e gengibre. E proibida de falar, porque tudo começou com o sintoma ingénuo de voz arranhada. Mal sabia eu!
As minhas cordas vocais e eu temos andado em desarmonia; adoramo-nos e precisamo-nos, mas tem sido difícil conciliarmo-nos. Não tenho nem a profissão nem o tipo de gostos que se façam sem voz.
O resto do boletim clínico não importa agora. Estou melhor, e amanhã já vou trabalhar. Mas o que me traz de volta ao blogue aconteceu nestes dias de fastio - isso sim, é o que quero partilhar.
Se eu aqui colar uma coisa que tenho escrita:
Egenmäktigt
förfarande – en roman om kärlek
Comportamento arbitrário /Obstinação – um
romance sobre o amor
de Lena Andersson (2013, vencedora do
prémio literário August de 2013)
Uma pessoa
chamava-se Ester Nilsson / Ester Nilsson era o nome de uma pessoa. Ela era
poetisa e ensaísta com oito cadernos densos/compactos publicados aos trinta e
um (anos.) Intransigentes segundo alguns, lúdicos/divertidos segundo outros,
mas a maioria nunca tinha ouvido falar dela.
Com uma precisão assombrosa, ela via
a realidade a partir da sua consciência e vivia na ambição de que o mundo era
tal qual ela própria o via/sentia/experienciava. Ou, melhor dizendo, que as
pessoas eram feitas de tal modo que viam o mundo tal como ele era, desde que
estivessem atentas e não mentissem a si mesmas. O subjectivo era o objectivo e
o objectivo era o subjectivo. Em todo o caso, era assim a sua demanda/ era este
o seu esforço /era esta a sua busca.
Ela sabia que a busca de igual
precisão na linguagem era como um espaço trancado/fechado, mas procurava ainda
assim, porque qualquer outro ideal tornava a demanda demasiado simples para os
batoteiros e negacionistas do intelecto; aqueles que não eram suficientemente
meticulosos para compreender a relação entre os fenómenos e como eles se faziam
representar pela linguagem.
Ela era, não obstante, obrigada a
ver uma vez após outra que as palavras mantinham uma aproximação. Do mesmo modo
que o pensamento, o qual apesar de construído por percepções sistematizadas/sistemáticas
e linguagem, não era tão confiável como fazia parecer.
As lacunas terríveis entre
pensamento e palavra, vontade e expressão, realidade e irreal, juntamente com o
que cresce/se desenvolve no meio desses hiatos – é disso que trata esta narrativa.
Desde que Ester Nilsson aos dezoito
anos de idade se apercebeu que a vida, ao extremo, corre para afugentar o
tédio e, apontando nessa direcção, descobriu pelos próprios meios a linguagem e
as ideias, nunca mais tinha sentido infelicidade, nem sequer um vulgar/normal
abatimento/tristeza. Ela trabalhava permanentemente com a descodificação da natureza
do mundo e das pessoas. (…)
Tinha vivido assim treze anos, mais de
metade do tempo em relação harmoniosa e tranquila com um homem que tanto a
deixava em paz como satisfazia as suas necessidades físicas e mentais.
Depois, recebeu um telefonema.
Isto é um rascunho muito rascunho, um alinhavo grosseiro de uma tradução. Há frases cuja tradução mais fiel e/ou correcta ainda nem consigo decidir. Seria/Será o capítulo 1 de um livro lido há uns meses. Adorei! Mais que antes, percebi o quanto ainda tinha a aprender da língua sueca. Mais que antes, dei-me conta da beleza e da clareza de imagens que esta língua pode transmitir. Mesmo quando preciso de consultar frequentemente o dicionário e recomeçar um parágrafo inúmeras vezes.
Isto é, para já, um trabalho de casa ou um passatempo para aconchegar o Outono que começou. Mas se em alguma altura tomasse forma de um projecto mais sério... Vejamos: se tirasses de uma estante um livro que começava assim, querias saber mais?
sexta-feira, 28 de março de 2014
Tem acontecido
Partindo do princípio, não muito modesto, de que esta primeira linha já está a fazer-te sorrir, pois cá vai um sorriso de volta :) Olá! Espero que estejas bem.
Se me distraísse mais um pouco, acabaria por esquecer-me da promessa de escrever aqui, dar notícias e treinar o meu português, que está a enferrujar. Acontece, mais vezes que menos, uma demora de segundos para me lembrar de palavras portuguesas... hammm...7... 8...9...10... POLISSILÁBICAS! Lá está, 10 segundos.
Da última vez falei de um estranho fascínio pelos Jogos Olímpicos de Inverno. Hoje é mais para pôr em dia um pouco do que tem acontecido.
A Västerås, chegou a Primavera. Não lancemos ainda os foguetes, porque Abril não é de fiar, mas não queremos mais neve! Agora é a vez do sol que, de semana para semana, ilumina mais e mais tempo. É a vez dos pássaros coloridos que não se cansam de cantar. É a vez dos troncos e ramos secos se mostrarem, de novo, com folhas e flores em botão.
Março trouxe de volta o sol, e no entanto foi um mês com alguns momentos bastante sombrios. Outros não, claro.
Eu resumo: o trabalho na escola é muito, e faço-o como os outros colegas (com os conhecimentos, com os erros, os sucessos, os atrasos, as reflexões e dúvidas, as frustrações, as epifanias...). Não sou, porém, uma professora "como a Suécia manda". Preciso que uma certa entidade me reconheça as habilitações e me dê equivalência, num pedaço de papel branco. Há que tempos que andamos num namoro de manda carta, responde a mail, pede documento, telefona, pergunta, pergunta a outra pessoa, passa-a-outro-e-não-ao-mesmo, etc. Ora, isto chateia e cansa! Voltar a estudar?! Como?! Quanto tempo?! E se eu não estiver para aí virada?! Bom, então daqui a 2 anos não há contrato, porque a Suécia burocrática pode não querer dar-me um pedaço de papel branco.
Para já, sem pânicos, devo dizer: soube na semana passada que, mesmo sem tudo devidamente regularizado, querem que continue na escola mais um ano! Não devo estar a fazer tudo mal.
Ah, mas à precaução, no dia 6 de Maio tenho um exame de sueco. Depois logo se vê o que se segue.
Se torceram por mim quando fiz o de castelhano, podem fazer uma forcinha desta vez também ;)
Em plena incerteza e batalha acontecem bons momentos, porque há sempre alguma janela que se mantém aberta. Tive o apoio e a esperança de colegas, o optimismo e as sugestões criativas de amigos, os alunos que expressam gratidão, e até duas páginas de jornal com a minha fotografia ao meio. Quem diria?! Que Março!
Não, ainda não tive o tempo necessário para me sentar a fazer a tradução. Sorry. Mas posso dizer que houve generosidade e sensibilidade nas palavras da jornalista que quis contar sobre mim (sobre portugueses e Portugal), e de muitos lugares recebi mensagens amáveis e igualmente generosas de reconhecimento. Vieram convites e ideias para projectos.
Agora é mais um fim de semana que começa, e que falta me fazia. Três horas e meia mais tarde do que o horário manda, saí da escola e o sol brilhava, morno e promissor. Fui cortar o cabelo e falar de coisas leves com a minha cabeleireira, que é do Michigan. Comprei túlipas, como de costume, e enfeitei a sala com elas. O bolo branco, o dos meus pecados durante a semana, chegou ao fim com uma chávena de chá por companhia.
O sono é tal que daqui a pouco não consigo nem escrever palavras ...3...4...5... dissilábicas!
Se me distraísse mais um pouco, acabaria por esquecer-me da promessa de escrever aqui, dar notícias e treinar o meu português, que está a enferrujar. Acontece, mais vezes que menos, uma demora de segundos para me lembrar de palavras portuguesas... hammm...7... 8...9...10... POLISSILÁBICAS! Lá está, 10 segundos.
Da última vez falei de um estranho fascínio pelos Jogos Olímpicos de Inverno. Hoje é mais para pôr em dia um pouco do que tem acontecido.
A Västerås, chegou a Primavera. Não lancemos ainda os foguetes, porque Abril não é de fiar, mas não queremos mais neve! Agora é a vez do sol que, de semana para semana, ilumina mais e mais tempo. É a vez dos pássaros coloridos que não se cansam de cantar. É a vez dos troncos e ramos secos se mostrarem, de novo, com folhas e flores em botão.
Março trouxe de volta o sol, e no entanto foi um mês com alguns momentos bastante sombrios. Outros não, claro.
Eu resumo: o trabalho na escola é muito, e faço-o como os outros colegas (com os conhecimentos, com os erros, os sucessos, os atrasos, as reflexões e dúvidas, as frustrações, as epifanias...). Não sou, porém, uma professora "como a Suécia manda". Preciso que uma certa entidade me reconheça as habilitações e me dê equivalência, num pedaço de papel branco. Há que tempos que andamos num namoro de manda carta, responde a mail, pede documento, telefona, pergunta, pergunta a outra pessoa, passa-a-outro-e-não-ao-mesmo, etc. Ora, isto chateia e cansa! Voltar a estudar?! Como?! Quanto tempo?! E se eu não estiver para aí virada?! Bom, então daqui a 2 anos não há contrato, porque a Suécia burocrática pode não querer dar-me um pedaço de papel branco.
Para já, sem pânicos, devo dizer: soube na semana passada que, mesmo sem tudo devidamente regularizado, querem que continue na escola mais um ano! Não devo estar a fazer tudo mal.
Ah, mas à precaução, no dia 6 de Maio tenho um exame de sueco. Depois logo se vê o que se segue.
Se torceram por mim quando fiz o de castelhano, podem fazer uma forcinha desta vez também ;)
Em plena incerteza e batalha acontecem bons momentos, porque há sempre alguma janela que se mantém aberta. Tive o apoio e a esperança de colegas, o optimismo e as sugestões criativas de amigos, os alunos que expressam gratidão, e até duas páginas de jornal com a minha fotografia ao meio. Quem diria?! Que Março!
Não, ainda não tive o tempo necessário para me sentar a fazer a tradução. Sorry. Mas posso dizer que houve generosidade e sensibilidade nas palavras da jornalista que quis contar sobre mim (sobre portugueses e Portugal), e de muitos lugares recebi mensagens amáveis e igualmente generosas de reconhecimento. Vieram convites e ideias para projectos.
Agora é mais um fim de semana que começa, e que falta me fazia. Três horas e meia mais tarde do que o horário manda, saí da escola e o sol brilhava, morno e promissor. Fui cortar o cabelo e falar de coisas leves com a minha cabeleireira, que é do Michigan. Comprei túlipas, como de costume, e enfeitei a sala com elas. O bolo branco, o dos meus pecados durante a semana, chegou ao fim com uma chávena de chá por companhia.
O sono é tal que daqui a pouco não consigo nem escrever palavras ...3...4...5... dissilábicas!
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Entusiasmo abaixo de zero
Never say never, porque afinal o antes impensável pode acontecer. (O antes impensável? Soa quase tão bem como inconseguimento, não vos parece?!)
Estou, há quase duas horas, a seguir transmissões em directo de diferentes modalidades olímpicas. E dou por mim a torcer por atletas suecos como se fossem a Rosa Mota no último meio metro da maratona! Ou seja, faço o que uma grande parte dos escandinavos faz num Domingo assim: uma caneca de café, uns biscoitos e esqui & companhia na televisão.
Um sueco chamado Marcus Hellner ganhou, há pouco, a prata em Esqui de Fundo, e uma final assim não deixa dúvidas de que se transpira muito, mesmo abaixo de 0°! Eu fico exausta (eu, que não sou nada uma pessoa de desporto - desculpa, tio Paulo!) só de pensar em cada músculo do corpo que se mexe para vencer provas contra a neve, contra o frio e contra os outros, que também querem a medalha.
Devo dizer-vos, não é nada difícil ficar entusiasmada com o que estes talentos conseguem alcançar. Viver no norte ainda não parou de abrir horizontes desconhecidos.
A pátria branca e fria de Dostoievski, Tolstoi e Pasternak recebe estes Jogos Olímpicos de Inverno, em Sochi. Se não pensar em todas as controvérsias e me abstiver dos absurdos custos de que se fala, então resta elogiar a cerimónia de abertura, impressionante e emocionante.
Tudo acontece sobre neve ou gelo; Rússia, Canadá, Estados Unidos, Noruega e Suécia são alguns dos candidatos mais fortes a somar medalhas. E agora não fiquem à espera de que eu siga com comentários interessantes, porque não estou à altura de nada mais eloquente do que isto no que toca a Jogos Olímpicos de Inverno. Pode ser que até 2018 aprenda mais alguma coisita! Por enquanto, vou "domingar" mais um pouco e continuar a ver provas cujas regras desconheço.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Tulipas e outras coisas boas (ou menos boas)
Bom dia!
Novo sábado, nova oportunidade para a preguiça. Mas não! Voltei a acordar cedo. Os limpa-neves são ruidosos e arrastam-me dos meus sonhos quando a luz ainda está para nascer. E porque andariam esses raspadores de ruas lá fora? Porque há uns 10 centímetros de neve a forrar os caminhos desde ontem. Um nevão muito mais sério do que os incipientes flocos que iam caindo nas últimas semanas.
Por esta hora (9 e picos em Portugal), já tomei o pequeno-almoço, folheei o jornal e o Facebook, paguei umas contas online e cuidei das tulipas, que cresceram muito durante a noite.
Diria uma colega do trabalho que as tulipas são a nossa consolação entre o fim da época natalícia e a Primavera. São o que dá cor a estes dias que se pintam com uma palete de brancos e cinzentos. E é um pouco assim. Com a chegada de Fevereiro, porém, não só as tulipas darão cor e alento; vi ontem numa app da meteorologia que, entre hoje e o próximo sábado, o período de luz vai aumentar 25 minutos. E a cada semana que passe, a diferença será cada vez mais visível. O sonho da Primavera é possível outra vez! :)
Ora, uma aspiradela é o que se segue, o duche a seguir, e uma caminhada até casa de uns amigos, onde vou almoçar. Tudo isto são coisas boas.
Depois, quase que a comemorar o aniversário da Theatron, vou ao teatro. Sabem no que pensei quando soube do evento? Num "pijama" de sobremesas. Porque é mais ou menos isso que vou ver: um "pijama" de pequenas companhias de teatro, que dão a provar um pouco do seu trabalho. Esta também me parece uma coisa boa.
Ontem aconteceu a primeira das aulas particulares de português com uma aluna sueca. O amor diz que tem destas coisas! O namorado é português, vive cá, e ela resolveu aprender a língua para lhe poder falar ainda mais ao coração. Para mim são um prazer estes encontros com aqueles que, genuinamente, apreciam a Portugalidade. Esta é, sem dúvida, uma coisa boa!
O que não é bom é o hábito dos meus vizinhos do andar de baixo! Já vamos no segundo tapete que me desaparece da porta para reaparecer à entrada de alguém no primeiro andar! Ou suspeitam que eu tenho sentido de humor e isto é só uma piada aos fins de semana, ou então... há os governos que tiram aos contribuintes e os vizinhos que tiram aos vizinhos. A comparação não é brilhante, mas qualquer uma das coisas é feita sem respeito e com uma grande dose de lata!
Novo sábado, nova oportunidade para a preguiça. Mas não! Voltei a acordar cedo. Os limpa-neves são ruidosos e arrastam-me dos meus sonhos quando a luz ainda está para nascer. E porque andariam esses raspadores de ruas lá fora? Porque há uns 10 centímetros de neve a forrar os caminhos desde ontem. Um nevão muito mais sério do que os incipientes flocos que iam caindo nas últimas semanas.
Por esta hora (9 e picos em Portugal), já tomei o pequeno-almoço, folheei o jornal e o Facebook, paguei umas contas online e cuidei das tulipas, que cresceram muito durante a noite.
Diria uma colega do trabalho que as tulipas são a nossa consolação entre o fim da época natalícia e a Primavera. São o que dá cor a estes dias que se pintam com uma palete de brancos e cinzentos. E é um pouco assim. Com a chegada de Fevereiro, porém, não só as tulipas darão cor e alento; vi ontem numa app da meteorologia que, entre hoje e o próximo sábado, o período de luz vai aumentar 25 minutos. E a cada semana que passe, a diferença será cada vez mais visível. O sonho da Primavera é possível outra vez! :)
Ora, uma aspiradela é o que se segue, o duche a seguir, e uma caminhada até casa de uns amigos, onde vou almoçar. Tudo isto são coisas boas.
Depois, quase que a comemorar o aniversário da Theatron, vou ao teatro. Sabem no que pensei quando soube do evento? Num "pijama" de sobremesas. Porque é mais ou menos isso que vou ver: um "pijama" de pequenas companhias de teatro, que dão a provar um pouco do seu trabalho. Esta também me parece uma coisa boa.
Ontem aconteceu a primeira das aulas particulares de português com uma aluna sueca. O amor diz que tem destas coisas! O namorado é português, vive cá, e ela resolveu aprender a língua para lhe poder falar ainda mais ao coração. Para mim são um prazer estes encontros com aqueles que, genuinamente, apreciam a Portugalidade. Esta é, sem dúvida, uma coisa boa!
O que não é bom é o hábito dos meus vizinhos do andar de baixo! Já vamos no segundo tapete que me desaparece da porta para reaparecer à entrada de alguém no primeiro andar! Ou suspeitam que eu tenho sentido de humor e isto é só uma piada aos fins de semana, ou então... há os governos que tiram aos contribuintes e os vizinhos que tiram aos vizinhos. A comparação não é brilhante, mas qualquer uma das coisas é feita sem respeito e com uma grande dose de lata!
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